quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CAMPO MAGRO - PR


CAMPO MAGRO

Curta, estreita, esburacada estrada
E a vil sensação de não se ter rumo
De rumar ao norte sem ter norte
Anda-se e para a cada alta lombada
Segue-se triste na Beira do prumo
Caminho que não requer passaporte.

Do Cerne, de vegetação melancólica
Retrata o ir e vir de uma saudade
Da falta da companhia boa e amiga
Sorriso doce nesta fantasia bucólica
De um sentimento único, de verdade
Do amor puro que dois corações liga.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ALÉM PARTIDA


Desde o dia que partiu
Meu sono de depois do almoço
De depois da janta
De depois
Virou sono pra depois
Depois de tudo
Depois
Depois fiquei assim
Meio mudo
Meio perdido
Perdido de depois
Depois que você partiu.

POETA III

Mágico
Que transcende nuvens
Esplendoroso maestro de palavras
Escultor de tinta e papel
Locutor de peças celestiais
Mas, não!
Seu brilho reside
Em soar (no ar)
Tudo o que gostaríamos de ter dito
Mas não ditamos
Nem pairamos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CHUVA




Tem horas que a chuva parece
Fumaça
Parece que ofusca
Faz movimentos
Quando rápida e brusca
Parece que dança
Valsa ao som dos ventos.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

TEMPESTADE


Fuzilam anjos revoltos no céu
A tempestade fecha o clima
Acende a silueta do mausoléu
Da pouca luz que vem de cima.

Deus, trêmulo, irado e colérico
Impõe seu domínio sobre o Ser
Criado da sua imagem esotérico
Ditando quão imenso seu poder.

Inundado e sombrio o cemitério
Torna-se de aspecto pavoroso
Guardando o que jazia mistério

Os segredos do Ser tão penoso.
Para esse Ser resta o Ministério
A nós mais um triste dia chuvoso.

NOVA LEMBRANÇA

Que é por si que tudo aturo
Que a lembrança me esvai
Para o outro lado do muro
Perturbada mente foge e sai.

Fantasmas dançam e cantam
A alegria de serem esquecidos
Com sua presença se espantam
Pensamentos doces atrevidos.

Dor eterna de um até logo
- infinita era atemporal –
São mil anos que me afogo

Chuvas de choros, temporal
Pela sua presença que rogo
Não mais o que é racional.

BOCA


Assim correndo como louca
Busca a essência de lábios
Quer ser ela a minha boca
Acha terá palavra dos sábios.

Desvairada dilacera a carne
Dessa pele macia, tenra, fina
Procura ter pra si o charme
Saltitante, faceira, desatina.

Doida de todo tipo e gênero
Boca quer, jura querer ser
Nem seja momento efêmero

Algum pescoço quer morder
Quem sabe dar beijo sincero
Aprazer de saliva, quão prazer.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

CÂNTICO À MINHA MORTE


Culpa os pássaros não tiveram
Quando deram causa à insônia
Em amanheceres que me deram
Grau sonâmbulo de santimônia.

Não! Nenhum ser agiu com dolo
Só o ato internamente praticado
Lançou esse corpo abjeto ao solo
À escuridão onde será enterrado.

Já que vida não há nessa carcaça
Venham os pássaros e lhe biquem
Arranquem carne com riso e graça

Instrumentos musicais toquem
Chuva inunde o velório em pirraça
Piem aves e como eu se afoguem.


(na imagem "El Velorio", de Diego Rivera).

sábado, 6 de novembro de 2010

MOMENTO


Passo hoje todo o dia em vão
Sem nada pensar ou fazer
Deitado de bruços no chão
Só lápis no papel a escrever.

Céu claro e ideia límpida
Dia lindo para um poema
Verso desejado e querido
Flui com qualquer tema.

Não importa metrificação
Vale apenas a leve rima
Que reflete a emoção

De ver o que está acima
Nesta vasta imensidão
Momento da vida íntima.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O AMOR

Vi o amor
No mesmo dia que me bateu a catástrofe
Big ben  do meu ser.

Vi o amor
Montado no lombo de um cavalo, em trote
Cela da minha sustentação.

Vi o amor
No barulho da cerra que derrubava a araucária
Espinho que me mantém acordado.

Vi o amor
Na face da jovem viciada grávida de oito meses
Parto da minha renascença.

Vi o amor
No esforço do idoso ao subir as escadarias
Degraus da minha salvação.

Vi o amor
Enfim, em tudo o que há neste mundo
Pois o mundo é todo amor.