quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

REBENTO



Volta a vida em mim
Nela, em suma
Vida, boa vida, o rebento
E rebenta trompa, pélvis
Vida vem, toma conta
- num choramingo -
Toma pra si nossa vida
Por puro amor...






foto: http://guiadobebe.uol.com.br/musicoterapia-para-gestantes-e-familias-gravidas/

terça-feira, 5 de maio de 2015

DICOTOMIA HUMANA



É um assombro,
Um sopro
O calafrio na espinha
- deliciosa sensação de aperto estomacal!

É esse não sei o que, que falta em mim.
Vazio preenchido com nada
Uma inspiração muito especial
Revertida em branco, não poder versar.

No fim,
Formigas, minhocas e larvas
Comprazem-se no que nos resta
As traças lentamente decompõem a obra.

Seria assim, não fosse essa Vida
- como poema em livro de receitas -
Que insiste em ocupar os espaços.


Imagem: < http://imagens.ndig.com.br/psicologia/tunel_proximo_morte.jpg>

quinta-feira, 16 de abril de 2015

EU POEMA



Corri dos fatos
Lancei letras ao ar
Rimas em palavras mortas
Dei vida ao papel
À frieza das bordas
Fui tinta, sou tinta, serei tinta
A palavra
– essa camaleoa contumaz –
Renascida em mim
Por mim mesmo
Deu forma a esta alma furtiva
Eu era, agora
Escrito na folha seca
O poema.


Imagem: http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/autumn-leaves-park-bench2.jpg

quarta-feira, 18 de março de 2015

REDONDILHA MAIOR DO DOCE ENCANTAMENTO



Doce encanto jovial
Liquor de seiva nova
Ri tímida colegial
Sorriso que renova.

Olhar tenro, um sinal
Fogo que dentro sente
Forte calor divinal
Ogiva pulsa ardente.

Anjo! De asa carnal
Voa ao que der e vier
Seduz, atrai, afinal
A menina é mulher!



Imagem: http://perlbal.hi-pi.com/blog-images/496003/gd/1222340615/De-Menina-a-Mulher.jpg

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

TEMPO DE (IN)COMPREENSÃO


Eu era o Tempo na poesia fria
Um ponteiro, lápis, uma cruz
O descompasso entre a teoria
E a compreensão a que conduz.

Fui Tempo numas linhas tortas
O breu, sombra, ausência de luz
O nada, dentre palavras mortas
Na oitiva mouca de quem traduz.

Ah! Pude ser incompreendido?
Em minuto, segundo, eu fui lido
Cortado nas horas do contexto

Catalogado conteúdo sem sentido.
Era Tempo de ser combalido
Morto pela interpretação de texto.


...
Escrito em 26/01/2015

TODO VAPOR AO ABISMO



Amei-te como a chuva que vem
Que despenca sem rumo
Levada pelos trilhos do inconsciente
Tomando acento em algum trem.

Eras a música de toda a poesia
A goteira da calha sobre o balde
Cheio de chuva e de lágrimas
Do abraço (o amasso) que envolvia.

Amei-te quando naquele vagão
Ao som das locomotivas ardentes
E da explosão de vapor de lágrimas
Pulsando em brasa de carvão.

As horas em trilhos corridas
Não cabem nas cheias vasilhas
Da nossa transbordante consciência
E caem no buraco das nossas feridas.


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Escrito em 26/01/2012

VENTO, FLOR, SUSSURRO


Ah, quanta injustiça se faz
Em pétalas jogadas ao vento
Que não têm motivo justo
Vão por ir, movimento audaz!

Eu (inocente) vivi na rosas
Dei corpo, caule, perfume
Foi todo amor, fui encanto!
Flor de falsidades amorosas?

Não, não joga tal aleivosia
Nesses ventos mensageiros
Carregadores de dor e pólen;
Só polinizarás a nostalgia!

Se nos é presente o passado
Vem e lembra ao meu lado
Toma teu sussurro poético
Pois em mim está gravado.



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Escrito em 20/01/2012

UM DIA AO SEU LADO


O sol não nasceu nesta manhã. Não havia sequer se posto ontem, quando crepúsculo não houve, quando a escuridão não veio, e as trevas mantiveram razoável distância de nós.
Os pássaros não se recolheram e cantaram sinfonias nos fios de luz frente à minha janela. Algumas nuvens eram a sua pele e passaram no zimbório terreno de um lado ao outro (algumas chegavam a tomar formas aqui inenarráveis, face à presença de sorridentes crianças).
Assim, atônito, vejo e revejo que o sorriso não me sai do rosto, como confirmo o fenômeno de que o dia de ontem jamais sairá da minha vida.


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Escrito em 30/01/2012

NÃO ÉS POETISA



Sequer poderia deixar de ser assim
Imaginar-te concreta, ou concreto
Tê-la por algo palpável ao sentido
Quando não és início ou (meu) fim.

Algo entre a linha, a tinta e o papel
Estás muito mais para lá que cá
Além do local que a razão advém
Entre os meus dedos e teu anel.

És, então a prosa poética, a teoria
A tese, a metáfora cheia de sentidos
És mais do que o verso; a entrelinha
Pois não és só poeta, mas a poesia.



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Escrito em 27/01/2012

FRUTA NEGRA EM NEGRA ALMA



Traz essas negras bolas                    
Assanha um olhar, uma deixa
Põe dessa fruta na boca minha
Joga neste pobre tuas esmolas.

Mira a negritude infinita
Nesses meus mares sujos
No mediterrâneo do meu ser
O olhar que invade e excita.

Joga com esses olhos negros
Acerta firme na caçapa do canto
Entra em mim e permanece
Como remédio em peito egro.

Sê minha mais, novamente
Alimenta minha angústia
Com tua quente fruta doce
Dá alento! Este peito sente!


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Escrito em 19/01/2012