sexta-feira, 26 de agosto de 2011

AONDE ANDA SEU SONHO?



Evoquei sua alma por um segundo
Implorando desdobrasse desse corpo
(corpo que já me tirou do mundo)
E viesse me curar, meu anticorpo.

Pensei pudesse estar já dormindo
E quem sabe – por aí – vagando
Entre borboletas, para mim vindo
Sorridente por estar lhe chamando.

Sonhos de caminhos tão diversos
Tornaram essas vidas tão opostas
Não rimaram mais nossos versos

Voando para longe minhas propostas
Meus fluídos vagando por aí dispersos
E minhas perguntas sem respostas.




Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgy4kO54fbM0kfB0V1LTYTmy7L2r0V0n3COo5SMIRw5Elqskmx5A4OX1nv-f6ejZSeI_vZx4f9w_Iy2iygNzEPU3RBYj7Kkiif_UVPJCCpbJVWarEe768RQv8VjtmYdnuKgK2vWsna7aICQ/s400/tgt.jpg

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

EMPIRISMO NIILISTA





Não! Nunca mais deixarei que zombem
Que domine o mundo a insensibilidade
Que mil cores dos meus olhos roubem
Caçoem desses instantes de felicidade.

Não mais! Nunca mais de mim tirarão
A esperança vista nos verdes lugares
Ou nos locais sem cor, de escuridão
Belos, feios, feios-belos, ou vulgares.

Jamais o mundo será visto novamente
Com os olhos que eu via no passado
Insensível à essência, que puramente

É parte de um Todo – nosso Pai amado.
Nunca! Jamais ocupar-me-á a mente
O empirismo niilista que havia me cegado.


...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

HOJE CEDO

Era doce a chuva lá fora
Hoje cedo, ao acordar
Quando perdia já a hora
Afável breve espreguiçar.

Sons de bela sintonia:
Calha tocada a pingos
Pulsante linda sinfonia
Coração batendo gingos.

Tinha um toque no ar
Som de chuva e sonho
Juntos, postos a reger

A cama leve a valsar
Neste momento risonho
Do musical amanhecer!





...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ALMA DE MULHER


Ah! Quando souberem os homens
Da beleza que há na alma da mulher!
Nunca mais, digo nunca! Não mais
Pensaria em coxas e entre-coxas...
 
O charme da alma amamentando o filho
A bela pose da alma cuidando dos enfermos
As curvas acentuadas de sua natureza
No momento em que chora por amor...

Olhos masculinos que vistam matéria
Tatos que apalpam pele, carne, osso...
Coisas que a terra um dia há de comer!

Visse o homem a beleza da alma da mulher
Jamais esqueceria; como não se esqueceria
Jamais de dizer o quanto dela é grato.

...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

SEU BEIJO

Tudo era como o solo duro de geada
Até que sua boca de fada assoprou
Nesse rosto uma esperança nova
Aquecendo as manhãs e meus pés.

Passavam pássaros e se perdiam no céu
(as nuvens engoliam e mastigavam tudo)
Antes de você não havia a luz do azul
As minhas tardes eram o cinza e as nuvens.

Toque mágico de bruxa, lábios úmidos
Delicadamente orvalhados pelo entardecer
Sem palavra acalentaram um coração seco

Minhas noites passaram a ser doces;
O doce encanto de imaginar-lhe minha
Para sempre aquecendo minha vida.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

PRÓLOGO


O que contém nessa obra
É fruto de muita imaginação
Ideia inteira ou a sobra
Dos cacos da ilusão.

Contém aqui algo real
Como belas borboletas
Lua sempre cheia e leal
A iluminar umas falsetas.

Poeta pintando poesia
Maquilando o verde olhar
Com o blanche sério da ironia
Sem as lágrimas lhe borrar.

Há papel, há tinta e há fogo
Muita mentira e alguma razão
Mudança na regra do jogo
E jogadores sem competição.

Àquele que não sabe e não viu
Fica desde já a advertência
Que o poeta de si fugiu
E agora é a sua consciência.

Ciente que então está
Parta à página futura
Viaje agora, desde já:
Boas lágrimas, boa leitura!

X.X.X

terça-feira, 26 de julho de 2011

POSSIBILIDADE QUÂNTICA



Porque é em mim está em tudo
Quando sou tudo e sempre mudo
Sem qualquer forma de percepção
Já que espaço e tempo são ilusão.

Sou o nada conquanto sou vazio
Arremesso elétrons e me esvazio
Flutuo no espaço, na possibilidade
De quem sabe ter sido de verdade.

Quantas vezes, então, eu serei
Para ser de fato o que eu sou?
Quantas ondas eu me surfarei

Em mim mesmo, ou eu mudarei?
O meu interior que agora ecoou
Em tudo, em mim, onde eu vou?


...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

SABIÁ-LARANJEIRA


Madrugada de piadeira
Falta faz nesse inverno
Noitada em que emberno
Lindo Sabiá-Laranjeira.

Ave símbolo dessa nação
Comum em toda cidade
A todos causa felicidade
Seus arranjos de paixão.

Pássaro belo de encanto
Grande e forte linda ave
Canta-nos seu pio suave
Anuncia calor ao recanto.

Um ano todo em espera
Pela estação das flores
Pelo canto dos amores:
O início da primavera.



------------

sexta-feira, 8 de julho de 2011

IPÊ-AMARELO II



Já transborda a alegria em mim
Ansioso tanto fico com as flores
Só em pensar no inverno e seu fim
No colorido encantador de amores.

Quase as sinto amarelas no galho
Secos galhos (todavia tão fecundos)
Fortes à geada, irrigados de orvalho
Genitores de sentimentos profundos.

Pela frente falta ainda um mês
Até que cesse essa onda de frio
Até que brote lindo o que se fez

Até que em mim preencha o vazio
E elas me toquem mais uma vez
Encham o peito, me deem arrepio.


Créditos da imagem:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiB_nYRzs6QeE1I6oiHNEzr8CgIHxbaJRvykcSF3QknC-DyGGZR4rqh3LEnJwcXa5cQonJud8dRYsjFHYQXOVMu3kTeQRENrfEURq48-oyYxlZTEcPxsjFTnvSjlZdbL6xs-i-fcbwPoGTg/s1600/ipe+amarelo_G.jpg
------------------

terça-feira, 5 de julho de 2011

PROCURA-SE

Procura-se alguém que escreva
Sem necessidade de diploma em letras
Mas as letras, essas tem que conhecer
Com licenciatura para diplomá-las.

Procura-se alguém que rime
Que tenha uma memória de elefante
- podendo ser um elefante –
Desde que o repertório seja gigante.

Procura-se por um alguém que chore
Um Ser que tenha especial sensibilidade
Emocione-se vendo filme, ouvindo música
Ou esteja arrumando a gaveta de meias.

Procura-se, sabe-se lá Deus quem
Se homem ou mulher, gordo ou magro
Mas que, como eu, divague...
...mundo a fora procurando por beleza.

Um poeta, uma poetisa
Um sonhador sentimental,
uma contadora de sentimentos...


--------------