segunda-feira, 20 de junho de 2011

ARCO-ÍRIS

Atravesse o céu
 - lado a lado –
Em uma grande parábola
Um convexo movimento.

Deslize até o pote de ouro
E se esbalde neste rico mergulho.

Seja a luz
Seja a cor
Seja o reflexo.

Em mim seja a gotícula da chuva
Em mim penetre sua luz
Em mim, a possibilidade de rodar o céu.




-----------------------x--

terça-feira, 7 de junho de 2011

INFINITO



O tamanho do segundo
Frente a esse mundo
É como a breve hora
Por todo universo a fora.

Nossos anos já vividos
São breves sonidos
Ondas do som solar
No universo a atravessar.

E a gente acha bastante
Esperar por um minuto
Impacientar todo instante

Sem pensar no absoluto
Quanto tudo é gigante
Infinito, onde se é soluto.



----------------------------

TROVA CELESTIAL


Do alto as vozes alvoroçam
Canções e melodias celestes
Poetas terrestres as trovam
Bons sons nos vêm agrestes.

Anjos que sopram nos ouvidos
Da medianeira bela escritora
Fazem-se em músicas e sonidos
Pela manhã, desde a aurora.

Cântico regido por macias mãos
Dá vida, põe pinha na araucária
Traz à terra o broto dos grãos
Umedece a árida vida agrária.

Vem de cima e sopra agora
Os cantos e as rimas de Deus
No papel, ou pelo mundo a fora
Toda esperança que Ele nos deu.

sábado, 4 de junho de 2011

POEMA DAS NUVENS



Todos são, em verdade, poetas,
Mas, veja, nunca o assumem!
É como esconder suas facetas
Em tantas formas de nuvens.

Admitir um sentimento sublime
Face aos gracejos do preconceito?
Rá! Diga lá aquele que assume
Ser pai do verso, de tê-lo feito...

E as nuvens vão alterando a forma
E os versos engavetados quedam
Eternizados na folha que lhes adorna
Forma única para sempre enredam.

Mas e daí? Ser poema de gaveta!
Não ter pai, nome e assinatura?
As nuvens se desfiam feito careta
E vão tomando sua forma futura.

Os poetas de nuvens seguem
O caminho das formas diversas
Nos versos em que se neguem
A si, ao texto, na nuvem dispersa...


XXX...XXX

segunda-feira, 23 de maio de 2011

TAL QUAL MATE AMARGO


 
O aroma inconfundível da erva mate
E o final amargo paladar
A cuia e suas curvas
Penetrada pela bomba longa
E o sugar? - Seria intenso!
Não fosse intenso o calor...
Matas verdes intocáveis prazeres me dava.
- Ahhh, não fossem as tantas bocas!


x.x.x.x.x.x

SEDENTO

Sinto sede de me versar
Jorrar o saber em fontes
Ver minha alma cantar
Migrar leve ao horizonte.

(Sede implacável resseca
A garganta que arranha
Recitando palavra seca
- Alma que não se banha!).

Quero derreter em verso!
Tomar conta do papel
Pôr-me no fundo, submerso

Nas entranhas do cordel
Sinto sede de universo
Postar-me nuvem no céu.


.X.X.X.

GRITO ESCONDIDO NO ESCURO



Grito escondido no escuro
Quando ninguém verá
À vista do futuro
De quando a luz acenderá.

Eu, na treva, alheio a tudo
Com o som torto na garganta
De tão escuro, quedo mudo
Ansiando a hora que acalanta.

Ecos que soam e ressoam
Em paredes sem tinta, sem cor
Refletirão gritos que voam
Na alegria, na tristeza e na dor.

Grito escondido minhas cruzes
Deleitando-me, pois sumiu!
- E quando acenderem as luzes
Um grito só: ninguém viu!


xxx....xxx

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E DAÍ?



E daí se hoje amanheci romântico?
Ou se simplesmente não amanheci, quando nem acordei
Quando vivo o sonho de ser e estar em extasiante contentamento.

A quem importa que de mim raie o amor
E que este transcenda a todo o canto?
E que esse canto esteja então irradiado de mim?

A mim apenas é válido não sofrer de qualquer tormenta
E ter meu estado de espírito, digamos, espirituoso...
Afinal, e daí?

E daí eu lhe digo, amigo, amiga, que a irradiação é infecciosa
E o problema passa a ser seu também.
E daí? E daí se por minha causa houver mais um romântico no mundo?

...o mundo amanheceria feliz...

Mas e daí?



xxx...xxx

VOCÊ


E eu canto hoje porque hoje é
Porque sua presença me apraz
Porque ao seu lado tudo afaz
Porque simplesmente você é.

Eu sou e você é; é ser, é benção
É o som que acalma, acalanta
É a água que limpa e que canta
A fonte que jorra paz e perdão.

Eu sou/estou porque está você
Porque de você vem minha paz
Porque tão bem para mim faz
Grato lhe sou pela sua mercê.

DESPERTAR

Fonte de prazer inesgotável
É amanhecer-se em si mesmo
Despertar um sorriso afável
Espreguiçar a alma a esmo.

Um dia sem ter outro igual
Nunca será como o anterior
Oportunidade outra pontual
Para amanhecer seu interior.

Com chuva, sol ou com garoa
Radiante é, pois, o novo dia!
Só o bem fará àquela pessoa

Que acorda já em harmonia
Avança, vai à frente, à proa
E tem em Deus sua sintonia.