terça-feira, 17 de agosto de 2010

DESAFIO

            

O amor é isso, o amor aquilo outro
E o casamento aqui, ali, acolá
Impõem-nos desde a escola
A não viver por si, mas noutro.

O amor pairando vagamente no ar
Tem que estar sempre dentro de nós
Se não, filho: - “quem irá olhar por vós”?!
- “Tendes que ceder, tendes que entregar”!

Sei, entendo e vejo tudo o que é dito.
O amor isso, casamento aquilo; eis a trama!
Mas, eu desafio: diga-me onde está escrito
Que devemos viver com quem não se ama?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

MARÉ NOSSA DE CADA DIA



No céu, gigante, imponente, faz-se bela a lua cheia
Estrelas ofuscadas reclamam: - Egoísta!
Faz do céu uma grande ritmada poesia
Rimando-se às sobras dos corpos noturnos.
Ilumina o etílico andar da boemia
- proteção necessária que cambaleia.
Até adentra quadriculada na cadeia!
Crescente, dá esperança
À agonia
É tinto vinho da santa ceia
Novo sangue pulsa na veia
Daquele que sofre,
que peleia.
No céu ao meio-dia
Gera espanto indecifrável
Indefinível.
Afinal,
Como pode?
Luar no meio do dia?
Nova é a lua invisível ao olho humano
Maré que levanta e baixa com metros de luar
- ou de saudades -
O vai e vem que não se sabe donde vem.
Escuridão, trevas e contentes estrelinhas sorridentes!
Minguante da desesperança
O negro aproximado
Escuro que virá
O salário minguando
A fome que ronda.
[...].
Vinte e nove dias de uma eterna reprodução.
A vida segue, marés sobem, descem, param.
E ninguém se importa com a solitária luazinha
Sozinha,
tão longe,
lá no céu.

(edvaldo pereira dos campos netto)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

TEREZA DE CALCUTÁ


Dói-me, mas não me doo.

Necessário doar, bem sei

Levantar, postar em vôo

D´alto olhar, ver Sua Lei.


Olhar igual a todo o Ser

Comprazer-se co´irmão

Dar-se simples, sem ser

egoísta, tomado de paixão.


Mostrou toda sua gentileza,

Um exemplo em que se ater,

Espírito tão forte em sutileza


Diante da morte, ou de morrer;

Disse modesta, Madre Tereza:

“Amar é doar-se até doer”.

ROSA


Morreria por uma rosa.
Daria a vida pelas pétalas aveludadas,
Pelo sentido aguçado do toque em sua tenra maciez.
Aos espinhos que me ferem os dedos,
A estes
(Ahhhh, estes!!!),
A eles dou meu sangue.
Espinho e beleza: 
sentido da vida!!!

ESTRANHO AMOR

Estranha frase, mas

Não lhe quero por completo.

Não desejo como almejam os possessivos.

Quero assim, simples, puro,

Sem interesses.

Quero amar na forma essencial

Sem motivo, sem finalidade.

Amo-lhe desta forma,

Sem você, sem presença,

Sem toque.

No coração tão somente,

No meu delirante e utópico sentimento.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

PERDÃO


Totalmente a mercê da providência

Apresento amiúde o pobre coração

Na necessidade da sua indulgência

Por seu afeto, num pedido de perdão.


Coração fraco, canhoto e amargurado

Clama, implora, com dependência

Apagar todos os erros do passado

Propondo por uma nova previdência.


Afoito, atônito, cego, em clemência

Bate no peito esta forte remissão

Na esperança desta dependência


Deixar de existir com a paixão.

- Fruto dos pulsos da reverência,

Impulsos que transbordam o coração.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CHECK-UP

CHECK-UP

Impregnado de irreversível tédio

A vista cansada passo no jornal

Idem como em bula de remédio

Por pistas deste sofrimento moral.


Passo as tardes, meses, passo dias

Às vezes nem mesmo sei se me passo

Passo aguardando passar nas veias

O sangue hora à hora - é o que faço.


Às vezes leio tudo - até asa de avião

Quando esta leitura não me basta

Leio lábios e leio mentes, até avistar


Coisas que somente minha própria visão

De poeta sintomático de mim (e sarcasta)

Enxerga este meu transtorno bipolar .


(edvaldo pereira dos campos netto).

SUICIDA

Ismália, enlouquecida em torre alta

Não fazes idéia que o belo luar

Está nos olhos dos que sentem falta

Desses olhos que só querem o mar.


Julieta, apaixonada e desvairada

Transformou a vida com veneno

Fez do amor, tudo, sua morada

Esquecendo daquilo que é sereno.


O personagem está é na vida

No peito, forte, que arranca

As lágrimas que escorrem na ferida


Levadas pela maré, na espuma branca.

Gera tristeza incompreensível o suicida,

Como na poesia de Florbela Espanca.


(edvaldo pereira dos campos netto)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

INSÔNIA


Choveu muito esta noite.

Cada pingo,

Cada gota,

Foi-me um sonho derramado.

Ah, como choveu!!!

Sonhos molhados!!!

Ou roubados?

– Não importa!

Choveu muito esta noite.

Abençoadas lágrimas celestiais!!!

Ocultam o tilintar das horas,

E os latidos dos cães ao longe.

VAZIO

Não caibo dentro de mim mesmo

- cérebro adstrito, oculto, mouco

Ora cego, surdo; ora vivo, a esmo

Atônito a tudo, central dum louco.

Não cabe em mim força ou razão

Nem sentimento definido comum

Expressão já não existe, então

Não me toca ensejo, motivo algum.

Gritam nas esquinas os consorte

Expõem seu amor, vivem a alegria

Enquanto outros choram pela morte

Curto os acordes harmônicos em eufonia

Que nesta cabeça me é o sul ou norte

Ora é calmaria; normalmente euforia!


(edvaldo pereira dos campos netto)