quarta-feira, 27 de julho de 2011

PRÓLOGO


O que contém nessa obra
É fruto de muita imaginação
Ideia inteira ou a sobra
Dos cacos da ilusão.

Contém aqui algo real
Como belas borboletas
Lua sempre cheia e leal
A iluminar umas falsetas.

Poeta pintando poesia
Maquilando o verde olhar
Com o blanche sério da ironia
Sem as lágrimas lhe borrar.

Há papel, há tinta e há fogo
Muita mentira e alguma razão
Mudança na regra do jogo
E jogadores sem competição.

Àquele que não sabe e não viu
Fica desde já a advertência
Que o poeta de si fugiu
E agora é a sua consciência.

Ciente que então está
Parta à página futura
Viaje agora, desde já:
Boas lágrimas, boa leitura!

X.X.X

terça-feira, 26 de julho de 2011

POSSIBILIDADE QUÂNTICA



Porque é em mim está em tudo
Quando sou tudo e sempre mudo
Sem qualquer forma de percepção
Já que espaço e tempo são ilusão.

Sou o nada conquanto sou vazio
Arremesso elétrons e me esvazio
Flutuo no espaço, na possibilidade
De quem sabe ter sido de verdade.

Quantas vezes, então, eu serei
Para ser de fato o que eu sou?
Quantas ondas eu me surfarei

Em mim mesmo, ou eu mudarei?
O meu interior que agora ecoou
Em tudo, em mim, onde eu vou?


...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

SABIÁ-LARANJEIRA


Madrugada de piadeira
Falta faz nesse inverno
Noitada em que emberno
Lindo Sabiá-Laranjeira.

Ave símbolo dessa nação
Comum em toda cidade
A todos causa felicidade
Seus arranjos de paixão.

Pássaro belo de encanto
Grande e forte linda ave
Canta-nos seu pio suave
Anuncia calor ao recanto.

Um ano todo em espera
Pela estação das flores
Pelo canto dos amores:
O início da primavera.



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sexta-feira, 8 de julho de 2011

IPÊ-AMARELO II



Já transborda a alegria em mim
Ansioso tanto fico com as flores
Só em pensar no inverno e seu fim
No colorido encantador de amores.

Quase as sinto amarelas no galho
Secos galhos (todavia tão fecundos)
Fortes à geada, irrigados de orvalho
Genitores de sentimentos profundos.

Pela frente falta ainda um mês
Até que cesse essa onda de frio
Até que brote lindo o que se fez

Até que em mim preencha o vazio
E elas me toquem mais uma vez
Encham o peito, me deem arrepio.


Créditos da imagem:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiB_nYRzs6QeE1I6oiHNEzr8CgIHxbaJRvykcSF3QknC-DyGGZR4rqh3LEnJwcXa5cQonJud8dRYsjFHYQXOVMu3kTeQRENrfEURq48-oyYxlZTEcPxsjFTnvSjlZdbL6xs-i-fcbwPoGTg/s1600/ipe+amarelo_G.jpg
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terça-feira, 5 de julho de 2011

PROCURA-SE

Procura-se alguém que escreva
Sem necessidade de diploma em letras
Mas as letras, essas tem que conhecer
Com licenciatura para diplomá-las.

Procura-se alguém que rime
Que tenha uma memória de elefante
- podendo ser um elefante –
Desde que o repertório seja gigante.

Procura-se por um alguém que chore
Um Ser que tenha especial sensibilidade
Emocione-se vendo filme, ouvindo música
Ou esteja arrumando a gaveta de meias.

Procura-se, sabe-se lá Deus quem
Se homem ou mulher, gordo ou magro
Mas que, como eu, divague...
...mundo a fora procurando por beleza.

Um poeta, uma poetisa
Um sonhador sentimental,
uma contadora de sentimentos...


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quarta-feira, 29 de junho de 2011

BEM MAIS DO QUE GOZAR




Entre o edredom e a fronha
Despindo-se ávido ofegante
Coisas de causar vergonha
Passado momento delirante.

Entre nós, meu corpo e o seu
Repousa calmamente o nada
Se já sou seu e seu eu é meu
Somos a única parte de cada.

Êxtase elevado sendo aturado
Carga máxima da eletricidade
Fissão atômica desse mesclado

Órgão pulsante na saciedade
Além da matéria e seu estado:
Dois delírios de sublimidade.



Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7f-zi73aQj0qcI89mMgG1dHAr9XT_E9AYxSfRNpRHhGHKQRbe5C0XGKz1_GV2TeVYDJO7SiBLy3RatKM0nU_g8a4-J9-Ti1gT8D139DqhGxjAG0Dt31xIO540wJ-QKiDgGC-dEtOOR5ue/s1600/erupcao-vulcanica.jpg

GAROA


Latente, cai silenciosa a garoa.
Dizem: “uma tal de molhar bobo”!
Abobados ou bestificados
Molhados ficamos todos.

A garoa é a chuva que não caiu
Não queria ser chuva,
Nem tão somente ar
Queria ser gota, voar e molhar!


Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCEbaRImevRp3hYkTFChbLdH4VyEFoQeIXc9dGwOyovfrPV-O92fmWzs7JBX204hkVgP26RNR4xNGNvwx8SwB84kaeAVyDVhRcHONgEZ2i1cWXWkYHSnbWmsNMx7ySXc7LOOMziQVIeWlr/s320/DSC09253.JPG

DA PRISIONEIRA ENCARNAÇÃO

Hoje o céu lá fora está mudado
Não tem mais o azul de ontem
Nem a luminosidade
Ou a claridade que detinha
(anda apagado o zimbório terreno).

Hoje, lá fora,
Tem algo diferente
Além da cor do céu...

Um lamento jaz aqui!

Nem ontem, nem hoje
Atravessei a barreira da janela
Nem fui a pé até aqueles verdes montes

Não passei do vidro dos meus olhos...
...não flutuei para perto do céu.


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terça-feira, 28 de junho de 2011

PINTURA DE PAISAGEM



Com que ângulo vejo
Avisto a vida da janela
Ou detenho-me no muro sem vida.

Um pinheiro ao longe
Telhado carecendo pintura
Fios de alta-tensão
A tensão da mais alta angústia.

A vida corre lá fora
A vista vai dali até ali...

O céu, todavia,
Dá espetáculos diários de roupagem
(camaleão celeste!).

Descrevo o que vejo
Conforme o ângulo que enxergo.

O leitor... bem, o leitor que imagine como quiser!


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segunda-feira, 27 de junho de 2011

DA VIDA IRREAL


Canta-se em estradas sinuosas
Músicas de roda, canções de ninar
Desde fadas a bruxas monstruosas
Faz-se fantástico o caminho a trilhar.

Frente à igreja de luzes reluzentes
Acelera-se, ritmando as canções
Dragões impõem-se com seus dentes
Em dilacerar sorrisos e emoções.

Anda-se e se corre por demasiado
Vive-se muito além do sensato
Num mundo colorido e enfeitado

Contra a ânsia, inda não vomitado
Na tangência, sentimento mediato
Sem com o asfalto se ter contato.




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