segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SAUDADE DE NADA


Como o cisco pairando
Veio aos olhos – míopes
Foi um tropeço do tempo
E derreteu em lágrimas.

Soldado de mesma legião
Servindo às letras
- artilharia de esferográficas!
Sentinela vigiando o espaço.

Uma imagem numa imaginação
Um toque sutil de “nunca mais”
O vento que lhe carregue...
Para outros olhos, outra folha de papel...


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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DESCOBERTAS




“Mente sã, corpo são”
Não há insanidade maior do que discutir Deus
São mentes cheias de vida
Ou duvidam da vida?
Ou mentem a si, como obra do acaso que são?
Afinal, serventia alguma há na realidade.
Realize!
Minta!
Seja um tango, um fado, uma valsa...
Depois, quando o ar já não tomar o corpo cansado de dúvidas
Haverá ainda a loucura
A deliciosa sensação de descobrir as Américas, as estrelas, uma moeda perdida no bolso do paletó...



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terça-feira, 3 de julho de 2012

POEMA MORDIDO POR CÃO BRAVO



Rosnou sobre cerca, violento cão
Esfaimado por tinta, ossos e pele
Por riscada folha, caída no chão
Com um poema, um beijo dele.

Truculenta falta de letra e canção
De olho fechado em peito aberto
As dores da saudade como sanção
Latidos silentes, que veem perto.

Pulou veloz o animal, o zangão
Daqui para lá, e de lá para cá
Sobre os muros, verbos e razão

Selou o poema, enterrou acolá
Grafando o epitáfio com a mão
Enterrou-me no papel, sem pá. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

ANJO




Assim, quem sabe, fosse o soprano
Pudesse, então, suavizar o ar
E soar ecos leves, lascivos, doces
Sopros de ternura no vento.
Fosse os pistões e as trombetas
As teclas, as palhetas ou,
Quem sabe,
Ondas...
Só música, vibrando nas vidas.













terça-feira, 8 de maio de 2012

DESDE QUE O SILÊNCIO TOMBOU NO BAR



Outrora uns anjos me vinham
Ébrios de palavras etílicas
Ruflavam asas cambaleantes
Entorpeciam-me ouvidos e mão.

Eram tempos de poemas e sons
Rimas oscilantes buscando tom
(insegurança poética aguda)
De poetas procurando o lar.

Fonte e letra descida goela abaixo
(amargo com duas pedras de gelo)
Era o poema soprado por loucos
Ao louco – alucinógeno doce de ideias.

Copo vazio quebrado sobre a mesa...
Daquelas asas? Restou uma pena!
À escrita falta sangue e álcool
...em mim: dor do silêncio (e ressaca).



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segunda-feira, 2 de abril de 2012

AFOGAMENTO POR FALTA DE INSPIRAÇÃO




Deixou-me seca a garganta
Marrenta falta de talento
Quando jaz já o verbo infinitivo
Perdido, vagando, rumo ao infinito...

Poeta sem filho e sem lar
Saltimbanco de temas esfarrapados
Tornei-me mendigo de mim mesmo
De versos submersos em poças d’água.

Parei ainda na página oito
Em nó de número, cãibra de faringe
Para ver de longe o abandono
Das palavras que nunca foram minhas.

Ébrio, acenei de longe, ao além
Sem resposta, entretanto!
A palavra já era muda, surda
E completamente desprovida de educação.

Dias ingratos de inglórias
Quando a caneta me falta o fôlego
Como nadar e morrer na praia
Como morrer na beira da página...

...no precipício do fim da linha.



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segunda-feira, 26 de março de 2012

UNIVERSAL SENTIDO


Não há aspiração tão profunda
Em todo o Universo de Deus
Frequência forte e profunda
Não há! – nem os versos seus!

Nada que em torno circunda
Nem balé sonoro, lento e belo
Sequer o trigal que abunda
Menos ainda sua voz de celo.

Os ventos em você campeiam
Suas safras de céu estrelado
Sonatas em mim semeiam

Sentimento circulante, alado
Sobre tudo giram, rodeiam
Amor, amores, por todo lado.



Imagem: http://dc235.4shared.com/img/xfPUxDnl/s7/Corao_Alado_3.png

quarta-feira, 7 de março de 2012

SÓ AMO




Amo na ausência do amor
Por lhe amar apenas
Nas lacunas das suas linhas
Entrelinhas das suas palavras
Suas vontades implícitas, tácitas
Amo
Amo na ausência sua
Quando viaja a sua alma
Aos mundos os quais não acesso
Não tenho morada
Na matéria escura
Ou quando se flutua em luas
Amo
Amo na ausência de respostas
A incompreensão
As dúvidas, incertezas
O seu olhar de não saber
O tremor de quando digo:
Amo.
Só amo.



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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

SILÊNCIO NO LAR



Era silenciosa a morada
Pessoas formavam um deserto de almas
Ou compunham uma família de moucos
Não se ouvia um pio
Não havia pássaros, nem gatos
Apenas a congelante sensação de vácuo
O vazio intercalado com a espessura negra do ar

Jazia latente a pior saudade já havida
A do choro calado, engolido
No silencioso velório do amor ainda vivo.


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DENSA NOITE DE VERÃO


Noite,
Cai toda sobre mim
Despenca o enegrecer na alma.

Antes caíssem estrelas,
Mas não,
Antes fosse chuva fria
Em noite quente,
Mas não!

Desaba um céu assim,
Sem luz,
Sem astro,
Sem nada.

Inunda-me os olhos
Que não enxergam mais nada
Só noite.


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imagem: http://lh3.ggpht.com/_nEw3iuKqmBg/TD5bivMuUNI/AAAAAAAABME/4bX07JOD2VI/daily_picdump_454_640_27_thumb%5B7%5D.jpg