quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

SEMPRE BOM DIA




Instante de glória, o desabrochar
A luz penetrando, pura e calma
Janela d´alma!
Fonte de vida, para o meu despertar
Lunares raios nos mares em brilho
Nascer dum filho!

Mágicas revoadas em todo o ar
Ser radial estrela, d´algum sistema
Viver no poema!
Vistas abertas pra imagem entrar
O dia que alegre vem e convida
Poesia da vida!

Página em branco a me convidar
Júbilo e beleza, você é quem faz
Um livro de paz!
Nascer novamente, ou só acordar
É dádiva, ocasião e alegria
Por isso: bom dia!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SONHANDO PARAÍSOS



Formosura incessante e constante
A exatidão das formas dos orquidários
Dança de galáxias, luar brilhante
A pulsante vida dos herbanários.

Insetos e suas asas entorpecidas
Borboletas colorindo cenários
De felizes artesãs desconhecidas
Que pintam ao som dos canários.

Fulgor de estrela, cor cintilante
Dos verdes frios às cores aquecidas
Odores que narcotizam boticários

Tudo gira em torno desse instante
Das belezas até ali esquecidas
Somente dos quadros e dicionários.


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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ESSE É TEMPO DE FACEBOOK


Insigne compartilhamento relevante
Amigavelmente furtado
(apropriação apropriadamente concedida)
Passado à frente
Onde fomos amarrar nossos burros, burros?


Havia antes a cara para dar o tapa
O receio rondava opiniões
Também havia as fardas engomadas e a tia da escola.


Vou além, espero, volto, revejo, escrevo, critico, enlouqueço
Muda o mundo em linhas temporais jamais revistas
Eles continuam lá – e já são bilhões!


As palavras ditas nunca voltam atrás...


Seu nome? Tumulto, disse Carlos
Túmulo, impõem reacionários e progressistas
Eco! Fala – escondendo-se – o agravado.

Muros? Pedras? Becos?
Nunca mais!
Tempo... esse é tempo... de não dar tempo...
 
 
x.x.x

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ONDE CANTA O SABIÁ



A primavera da insônia minha
Mãe da música e da beleza
Inspira pássaro em modinha
Cântico ao amor, à natureza.

As flores dormideiras, orvalhadas
Murchas, anseiam pelo sol a raiar
Põem-se firmes, fortemente fechadas
Implorando encerre altivo piar.

Aqui, a sinfonia de um grande afã
Sons que cantam lá, também cantam cá
Tornando-se noite a noite seu fã

Do lirismo exaltado que nele há
Ouvindo ao guardião da manhã
Anunciando belo dia que virá.




Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Turdus-rufiventris.jpg/220px-Turdus-rufiventris.jpg

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SAUDADE DE NADA


Como o cisco pairando
Veio aos olhos – míopes
Foi um tropeço do tempo
E derreteu em lágrimas.

Soldado de mesma legião
Servindo às letras
- artilharia de esferográficas!
Sentinela vigiando o espaço.

Uma imagem numa imaginação
Um toque sutil de “nunca mais”
O vento que lhe carregue...
Para outros olhos, outra folha de papel...


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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DESCOBERTAS




“Mente sã, corpo são”
Não há insanidade maior do que discutir Deus
São mentes cheias de vida
Ou duvidam da vida?
Ou mentem a si, como obra do acaso que são?
Afinal, serventia alguma há na realidade.
Realize!
Minta!
Seja um tango, um fado, uma valsa...
Depois, quando o ar já não tomar o corpo cansado de dúvidas
Haverá ainda a loucura
A deliciosa sensação de descobrir as Américas, as estrelas, uma moeda perdida no bolso do paletó...



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terça-feira, 3 de julho de 2012

POEMA MORDIDO POR CÃO BRAVO



Rosnou sobre cerca, violento cão
Esfaimado por tinta, ossos e pele
Por riscada folha, caída no chão
Com um poema, um beijo dele.

Truculenta falta de letra e canção
De olho fechado em peito aberto
As dores da saudade como sanção
Latidos silentes, que veem perto.

Pulou veloz o animal, o zangão
Daqui para lá, e de lá para cá
Sobre os muros, verbos e razão

Selou o poema, enterrou acolá
Grafando o epitáfio com a mão
Enterrou-me no papel, sem pá. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

ANJO




Assim, quem sabe, fosse o soprano
Pudesse, então, suavizar o ar
E soar ecos leves, lascivos, doces
Sopros de ternura no vento.
Fosse os pistões e as trombetas
As teclas, as palhetas ou,
Quem sabe,
Ondas...
Só música, vibrando nas vidas.













terça-feira, 8 de maio de 2012

DESDE QUE O SILÊNCIO TOMBOU NO BAR



Outrora uns anjos me vinham
Ébrios de palavras etílicas
Ruflavam asas cambaleantes
Entorpeciam-me ouvidos e mão.

Eram tempos de poemas e sons
Rimas oscilantes buscando tom
(insegurança poética aguda)
De poetas procurando o lar.

Fonte e letra descida goela abaixo
(amargo com duas pedras de gelo)
Era o poema soprado por loucos
Ao louco – alucinógeno doce de ideias.

Copo vazio quebrado sobre a mesa...
Daquelas asas? Restou uma pena!
À escrita falta sangue e álcool
...em mim: dor do silêncio (e ressaca).



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segunda-feira, 2 de abril de 2012

AFOGAMENTO POR FALTA DE INSPIRAÇÃO




Deixou-me seca a garganta
Marrenta falta de talento
Quando jaz já o verbo infinitivo
Perdido, vagando, rumo ao infinito...

Poeta sem filho e sem lar
Saltimbanco de temas esfarrapados
Tornei-me mendigo de mim mesmo
De versos submersos em poças d’água.

Parei ainda na página oito
Em nó de número, cãibra de faringe
Para ver de longe o abandono
Das palavras que nunca foram minhas.

Ébrio, acenei de longe, ao além
Sem resposta, entretanto!
A palavra já era muda, surda
E completamente desprovida de educação.

Dias ingratos de inglórias
Quando a caneta me falta o fôlego
Como nadar e morrer na praia
Como morrer na beira da página...

...no precipício do fim da linha.



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