segunda-feira, 4 de abril de 2011

AROMAS NOTURNOS



Perdidos sonhos que me escapam
De uns reflexos precedidos de luz
Rápido! Memória curta que apagam
Todas as dores e lembranças da cruz.

Alma livre, solta, vagando viajante
Deslizando na fragrância etérea
Do concentrado perfume pujante
Livre no ar, como na alma interna.

Sonhos de uma madrugada sem fim
Os aromas esquecidos de jasmim
Do bálsamo agora embalsamado

De uns vestígios poucos de passado
Que acendem um lampejo em mim:
Voe neste lindo novo dia perfumado!


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sexta-feira, 1 de abril de 2011

POEMA II


O poema... onde foi parar o poema?
O poema  outrora tão visto, tão lido
O qual foi até roteiro de cinema
Desapareceu, feneceu, anda sumido.

Poema longo de já remotas épocas
Do glamour literário de sua era
Onde anda até os de linhas poucas?
Pesar atormentado que me dera.

Parece mesmo tenha sumido
Com a cultura e o gosto popular
Mas há de haver alguém escondido

Em algum canto, em canetear
Um verso em seu último gemido
Implorando vida, pedindo para voltar.



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quinta-feira, 31 de março de 2011

POETA XI

Fosse eu um poeta extraordinário
Já teria saído pelado e pulando
Teria eu imposto a todos glossário
Dos meus cantares aí poetando.

Ah, sim! Fosse um poeta de verdade
(a própria verdade); teria de fato
Identidade e certidão à insanidade
Poeta legítimo, de sangue, nato!

Fosse louco, excêntrico, ou só
Um simples e modesto escritor
Na sua simplicidade de dar dó

Barba por fazer , num bar, a compor
Com uma rosa na lapela do paletó
Teria o mundo a encher de amor.


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quarta-feira, 30 de março de 2011

ESPANTO


Sobrenatural aos olhos de quem vê
A perspectiva ou ponto de referência
Por sim dizer que falta àquele que crê
Sua visão acerca d’alguma experiência

O extraordinário fácil deixa de sê-lo
Quando a rotina lhe adorna a feição
Levando-se o feio ao bravo, ao belo
Dando ares de graça em nova afeição.

Outrora incomum tornar-se-ia o banal
E não mais se notaria flores nos jardins
Tudo rumaria ao caminho de seus fins

O espanto ganha ares do mais trivial
Pequeno susto (salto!) leve de inicial
Aprazível (ou banal), depois, enfim...


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terça-feira, 29 de março de 2011

CAIXA DE RESSONÂNCIA


Universo posto em conspiração
Energeticamente cada pessoa
Impõe em tudo sua vibração
E única, grande, órbita ressoa.

À deriva, navegamos nos campos
Nas forças que a tudo atordoa
Às luzes d’além, dos pirilampos
Na incandescência que nos voa.

Universo todo tempo em ação
Com seus campos magnéticos
E as interferências na emoção

Freqüência, cálculos aritméticos
Fazem vibrar junto esse coração
Tão carente de campos poéticos.


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quinta-feira, 17 de março de 2011

TALVEZ

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Talvez é o quase do sim
Um querer sem querer
Por querer idem o não.

O nada, tudo, a indecisão
O querer quase querer
Ser não ou ser o sim.


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terça-feira, 15 de março de 2011

AMOR SEM DOR


Poema sem dor, mas com amor
Era a temática da redação.
De lance, a aluna se pôs em pavor
Mostrando evidente aflição.

“Como seria possível esse feito?”
Desde o início dos tempos
Um é o outro, na cara, no jeito
Andam juntos, voam nos ventos.

“Desde sempre e todo sempre”
Afirmava a si mesma a garota.
Ao seu lado, com sorriso contente

A alegria breve, fácil, marota:
 “A mim basta estar na sua frente;
O texto? Não me importa a nota!”


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segunda-feira, 14 de março de 2011

PALAVRAS VI



Nem preciso escrever a você.
Já é a própria palavra escrita
É verso em vida, é prosa, é poema...
Mais além: é palavra dita!

Simples como um sim
Ou como um não, é palavra certa
Que encontra sempre seu fim
Sílaba tônica e acento circunflexo.

Não! Palavra alguma carece!
Redige esse seu texto singular
Essa estória única que enaltece
Algumas reticências que parecem falar...


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domingo, 13 de março de 2011

SORRISO

(Para Aline C.B.F)

É se estar saudável, lhe aviso
Estar gostoso com a alma
Externar alegria com calma.
Delicioso saudável sorriso!

Pôr-se o per si ao além
Colocar-se para mais ali
Para lá, acolá e aqui
Dar paz ao outro também.

Epidêmico suave contágio
Causa essa sua sensação
Amiga minha (do coração)

É o máximo humano adágio
Dá leme, evita o naufrágio
Põe-na em melhor direção.


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terça-feira, 1 de março de 2011

POEMA DA VIDA


Poema! Poema nosso de cada dia
Da doce palavra meiga e amena
Eivado de momento de sabedoria
Riscos e rabiscos da grafia serena.

Diário aberto de meias verdades
Aos erros ortográficos sujeito
 - Errar é Poético! Quão infelicidades
Existem e se apagam; sem efeito.

Linhas tortas sobre as certas
Anoitecem no poema já escrito
Alinhando-se às horas incertas
Que nunca lembrarão do que dito.

Amanhecida palavra que emociona
Um riscado leve, sincero e franco
À vida que diariamente ocasiona
Nova folha de papel em branco.

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