sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

FAKE


Negro sombrio lado oculto
Do outro eu, ou dum mesmo eu
Alegre, crente, às vezes culto
Personagem dum livro que leu.

Invisível aos seus pares, vulto
De tantos úteros férteis nasceu
Marco, Cristine, um mito, Perseu
Ora ela, ele, criança ou adulto.

Esconderijo de uma mente sã
Ocultação do filme queimado
Covardia tem é ser comparado

Ou recair monótono, na rotina vã
Tornando-se um vivo velado
Quando morto pode ser amado.

Imagem: http://www.kakoi.com.br/wp-content/uploads/2013/10/fake.jpg

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

AMANTE AD HOC

Foto: cena do filme Despedida em Las Vegas (1995), com Nicolas Cage e Elisabeth Shue.


Adota para si as recusas alheias
Toma com amor ocultados prantos.
Leito fogoso de emaranhadas teias
Reduto vivo de prazerosos encantos.

Amiúde, geme, põe corpos incendiados
Não só homens, mas cansados santos
Sem pecados, remorsos vigiados
Cobre todos de amor em seus mantos.

Maltratam-na, rotulando-a: - sua puta!
Sem saber quantos e quantos casamentos
Salvou com seu amor essa moça astuta

Quanta insatisfação supriu sua conduta
Quando seu colo agasalha mil lamentos
E só – após – chora a moça substituta...






segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ALMA POETA

Faltam litros de sorvete
- doce, frio, cremoso –
No preenchimento deste abismo
Do centro mundo
Das mil intermináveis galáxias
Do buraco negro
Que habita este confuso Id.

Lambuzo-me em deleite
Em esperma,
Em líquido de bartholin
Nas mais vis secreções
Nos mais funestos prazeres...

Nem o doce, nem salgado, gozo ou gol...

- Buraco latente da alma de poeta...




Imagem: http://files.familia-positiva.com/200000494-1090d118aa/ALMA%20VAZIA.jpg

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

SEMPRE BOM DIA




Instante de glória, o desabrochar
A luz penetrando, pura e calma
Janela d´alma!
Fonte de vida, para o meu despertar
Lunares raios nos mares em brilho
Nascer dum filho!

Mágicas revoadas em todo o ar
Ser radial estrela, d´algum sistema
Viver no poema!
Vistas abertas pra imagem entrar
O dia que alegre vem e convida
Poesia da vida!

Página em branco a me convidar
Júbilo e beleza, você é quem faz
Um livro de paz!
Nascer novamente, ou só acordar
É dádiva, ocasião e alegria
Por isso: bom dia!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SONHANDO PARAÍSOS



Formosura incessante e constante
A exatidão das formas dos orquidários
Dança de galáxias, luar brilhante
A pulsante vida dos herbanários.

Insetos e suas asas entorpecidas
Borboletas colorindo cenários
De felizes artesãs desconhecidas
Que pintam ao som dos canários.

Fulgor de estrela, cor cintilante
Dos verdes frios às cores aquecidas
Odores que narcotizam boticários

Tudo gira em torno desse instante
Das belezas até ali esquecidas
Somente dos quadros e dicionários.


........

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ESSE É TEMPO DE FACEBOOK


Insigne compartilhamento relevante
Amigavelmente furtado
(apropriação apropriadamente concedida)
Passado à frente
Onde fomos amarrar nossos burros, burros?


Havia antes a cara para dar o tapa
O receio rondava opiniões
Também havia as fardas engomadas e a tia da escola.


Vou além, espero, volto, revejo, escrevo, critico, enlouqueço
Muda o mundo em linhas temporais jamais revistas
Eles continuam lá – e já são bilhões!


As palavras ditas nunca voltam atrás...


Seu nome? Tumulto, disse Carlos
Túmulo, impõem reacionários e progressistas
Eco! Fala – escondendo-se – o agravado.

Muros? Pedras? Becos?
Nunca mais!
Tempo... esse é tempo... de não dar tempo...
 
 
x.x.x

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ONDE CANTA O SABIÁ



A primavera da insônia minha
Mãe da música e da beleza
Inspira pássaro em modinha
Cântico ao amor, à natureza.

As flores dormideiras, orvalhadas
Murchas, anseiam pelo sol a raiar
Põem-se firmes, fortemente fechadas
Implorando encerre altivo piar.

Aqui, a sinfonia de um grande afã
Sons que cantam lá, também cantam cá
Tornando-se noite a noite seu fã

Do lirismo exaltado que nele há
Ouvindo ao guardião da manhã
Anunciando belo dia que virá.




Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/44/Turdus-rufiventris.jpg/220px-Turdus-rufiventris.jpg

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

SAUDADE DE NADA


Como o cisco pairando
Veio aos olhos – míopes
Foi um tropeço do tempo
E derreteu em lágrimas.

Soldado de mesma legião
Servindo às letras
- artilharia de esferográficas!
Sentinela vigiando o espaço.

Uma imagem numa imaginação
Um toque sutil de “nunca mais”
O vento que lhe carregue...
Para outros olhos, outra folha de papel...


...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DESCOBERTAS




“Mente sã, corpo são”
Não há insanidade maior do que discutir Deus
São mentes cheias de vida
Ou duvidam da vida?
Ou mentem a si, como obra do acaso que são?
Afinal, serventia alguma há na realidade.
Realize!
Minta!
Seja um tango, um fado, uma valsa...
Depois, quando o ar já não tomar o corpo cansado de dúvidas
Haverá ainda a loucura
A deliciosa sensação de descobrir as Américas, as estrelas, uma moeda perdida no bolso do paletó...



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terça-feira, 3 de julho de 2012

POEMA MORDIDO POR CÃO BRAVO



Rosnou sobre cerca, violento cão
Esfaimado por tinta, ossos e pele
Por riscada folha, caída no chão
Com um poema, um beijo dele.

Truculenta falta de letra e canção
De olho fechado em peito aberto
As dores da saudade como sanção
Latidos silentes, que veem perto.

Pulou veloz o animal, o zangão
Daqui para lá, e de lá para cá
Sobre os muros, verbos e razão

Selou o poema, enterrou acolá
Grafando o epitáfio com a mão
Enterrou-me no papel, sem pá.